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HISTÓRIA DOS PASSIONISTAS EM PORTUGAL

-SAMEIRO E BRAGA-

_A vinda dos Missionários Passionistas para Portugal está ligada à situação político-social histórica que vivia a nossa vizinha Espanha. A guerra civil rebentou em Espanha em 1936 e durou até 1939. Num consenso generalizado, os historiadores consideram a Guerra Civil espanhola como o acontecimento mais traumático que ocorreu antes da 2ª Guerra Mundial. Nela, dizem, estiveram presentes todos os elementos militares e ideológicos que marcaram o século XX. De um lado se posicionaram as forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas às classes e instituições tradicionais da Espanha (O Exército, a Igreja e o Latifúndio), e do outro a Frente Popular que formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os partidários da democracia. Para a Direita espanhola, tratava-se de uma Cruzada para livrar o país da influência comunista e da franco-maçonaria e restabelecer os valores da Espanha tradicional, autoritária e católica. Para tanto era preciso esmagar a República, que havia sido proclamada em 1931, com a queda da monarquia. As baixas da Guerra Civil oscilam entre 330 a 405 mil mortos, sendo que apenas 1/3 ocorreu na guerra. Meio milhão de prédios foram destruídos, parcial ou inteiramente, e perdeu-se quase metade do gado espanhol. A renda – per capita - reduziu-se em 30% e fez com que a Espanha afundasse numa estagnação económica que se prolongou por quase trinta anos.
__Durante a guerra civil, também foram assassinados Passionistas. A confirmá-lo, os mártires passionistas de Daimiel e Santo Inocêncio Canoura, en Turón, Mieres.
__É tendo presente este contexto político-social dos anos 30, em Espanha, que compreendemos o porquê da vinda dos Passionistas para Portugal. Aliás, os Cronistas das Casas Passionistas do Sameiro (Braga) (P.e Benito de S. José), e de Barroselas (P.e Faustino de S. Domingos) são bem explícitos em apresentarem a ‘fuga’ de Espanha, devido aos perigos da guerra civil, para o ‘oásis’ de Portugal, como fundamentação ‘primária’ da implantação da Congregação Passionista neste País.

MONTE SAMEIRO (BRAGA)

__O dia 07 de Outubro de 1931 ficará gravado nos anais da história da Congregação da Paixão (Missionários Passionistas), em Portugal. Foi nesse dia que se radicou a primeira Comunidade Passionista no Monte Sameiro, na cidade de Braga, com a chegada de quatro Religiosos: Padres Isaías e Isidoro de S. Pedro (como Superior da Comunidade), e os Irmãos Auxiliares, Manuel da Ressurreição e Pompeu de Jesus Crucificado.
__E porque o Monte Sameiro (Braga), perguntará alguém? A História dá-nos a resposta. Em fins de Julho de 1931, continua a informar-nos o referido P.e Benito de S. José, O Superior Provincial da Província do Precisosíssimo Sangue, P.e Emetério, acompanhado do 2º Consultor Provincial, P.e Isaías da Dolorosa, encontraram-se com o Ex.mo Sr. D. Manuel Vieira de Matos, Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas que, depois de uma ‘amável recepção’ ofereceu-lhes ‘enquanto durassem as tristes circunstâncias pelas quais atravessava Espanha’ duas casas no Monte Sameiro, junto do Santuário de Nossa Senhora. Uma das casas oferecidas era o próprio palácio de verão do Ex.mo Sr. Arcebispo. A outra pertencia à Confraria de Nossa Senhora do Sameiro e teria de ser alugada por um preço muito especial, refere o Cronista citado.
__Outros Religiosos foram chegando e assim, em fins de Novembro de 1931, a nova Comunidade Passionista, ‘acolhida com fraternal afecto pelo bondoso Capelão do Santuário, Dr. P.e Abílio Araújo, inaugurava no Monte Sameiro a sua austera vida de regular observância (das Regras e Constituições da Congregação da Paixão – Missionários Passionistas-), tanto de dia como de noite’.
__Os Missionários Passionistas são anunciadores da Palavra, por carisma específico da própria Congregação. Sempre contaram nas suas fileiras com insignes oradores. E os primeiros Religiosos quiseram, de imediato, pôr em prática a razão do seu existir. Para tal, havia necessidade de dominarem a língua lusitana. Eis porque é digno de registo a preocupação dos Religiosos Passionistas aprenderem o Português. E encontraram o caminho certo. Sem perda de tempo, realizaram um curso de língua portuguesa no ‘Colégio-noviciado dos Padres do Espírito Santo de Fraião’, lançando-se, de imediato, numa ‘intensa campanha de Apostolado’. Radicados muito próximos do Santuário, ‘incrementaram o culto e a devoção à Santíssima Virgem, ali venerada, e eram administradores incansáveis dos sacramentos’.
__O Monte Sameiro sempre foi um local de peregrinações, muito procurado ora por devotos de Nossa Senhora ora por simples turistas. E apesar de ser um local que, devido à sua localização geográfica, é atraente, aprazível, encantador, muito propício ao usufruir da paz interior e proporcionador de uma encantadora e vasta paisagem, tendo a seu pés a moderna e evoluída cidade de Braga, não foi, no entanto, o sítio certo –na visão dos seus primeiros Religiosos Passionistas -, para que a Congregação da Paixão se radicasse definitivamente, pois o espírito da Congregação exigia que ela se fundasse em lugares retirados das populações, que fomentasse o espírito de solidão, de recolhimento e de oração.

CIDADE DE BRAGA

Pela razão acima exposta, os Superiores dos Missionários Passionistas, radicados em Espanha, e de quem dependia esta parcela lusitana da Congregação, decidiram, no dia 02 de Janeiro de 1933, que se deixasse o Monte Sameiro e se passasse a residir noutro local mais apropriado com o espírito da Congregação, que já se tinha encontrado, na freguesia de S. Pedro de Capareiros, hoje Vila de Barroselas, no distrito de Viana do Castelo. Disto falaremos mais adiante. Portanto, tomada a decisão de se abandonar o Monte Sameiro, alguns Religiosos Passionistas foram para S. Pedro de Capareiros, enquanto outros ficaram no coração da cidade de Braga, no que podemos chamar de núcleo duro da Bracara Augusta!
__Entretanto, e após a decisão tomada pela Cúria Provincial, a que fizemos referência, o P.e Benito de S. José teve uma entrevista com o sucessor de D. Manuel Vieira de Matos, o Sr. Arcebispo D. António Bento Martins Júnior, colocando-o ao corrente da situação. Apesar de ter compreendido a intenção que movia os Missionários Passionistas a deixarem o Monte Sameiro, o Sr. Arcebispo aproveitou a oportunidade para pedir que os Missionários Passionistas se encarregassem do serviço religioso da igreja do Seminário Santiago, desejo já manifestado pelo seu antecessor, D. Manuel Vieira Matos. O pedido foi aceite. E assim, no dia 19 de Janeiro de 1933, desceram alguns Religiosos do Monte Sameiro para a cidade de Braga, mais concretamente para uma casa alugada na Rua dos Mártires da República, nº 19. O primeiro Superior desta Comunidade Passionista foi o P.e Isidoro de S. Pedro. A tomada de posse da igreja do Seminário de Santiago verificou-se no dia 22 de Janeiro de 1933. Uns rumaram para S. Pedro de Capareiros, outros ficaram-se na cidade de Braga
__A despedida definitiva do Monte Sameiro ocorreu no dia 27 de Abril de 1933, após uma eucaristia celebrada no altar da Imaculada Conceição do Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, e presidida pelo P.e Benito de S. José, colocando-se a implantação e a dilatação da Congregação Passionista em Portugal sob o amparo da Santíssima Virgem.
__A 08 de Maio de 1940 comprou-se uma quinta em Barroselas, precisamente onde se encontra hoje localizado o Seminário dos Missionários Passionistas. A 14 de Novembro de 1941, o P.e Provincial da Província Passionista Espanhola do Preciosíssimo Sangue, acompanhado do seu 1º Consultor, comunicaram pessoalmente ao sr. Arcebispo de Braga a decisão de encerrar a residência passionista de Braga. O Cronista referido, salienta, a propósito: “O Ex.mo Sr. Arcebispo tratou de dissuadi-los, manifestando o seu sentimento e pesar...”. E continua: Mas “depois de expostos os diferentes pontos de vista, concordaram que a saída seria em fins de 1941”. Tal veio a verificar-se, sendo Superior da Comunidade Passionista de Braga o Rev.do P.e Feliciano da Imaculada. A consternação foi geral. De nada serviram, continua o Cronista, as exposições de Comissões de católicos bracarenses, de autoridades, de forças vivas da cidade, dos confrades da Paixão.