- Carisma Passionista
CARISMA PASSIONISTA
__O fim específico da Congregação Passionista é anunciar o Evangelho da Paixão mediante a vida e o apostolado. Não podia deixar de ser outra a sua espiritualidade, uma vez que “Paulo da Cruz não se cansa de repetir que na Paixão de Cristo está tudo; que esse é o caminho mais breve para chegar à perfeição; que no mar da Paixão de Cristo se recolham as pérolas das virtudes; que não há outra porta para passar das actividades ascéticas à passividade mística”.
__“A vida de S. Paulo da Cruz, as suas pregações, os seus escritos, aparecem saturados do amor a Cristo Crucificado e de ânsias por atrair as almas aos pés do Crucifixo. Aproximar-se-á dos pecadores empedernidos para lhes mostrar o seu crucifixo de missionário. E, com Ele pela frente, lhes fará conceber o horror ao pecado, desejos de conversão tendentes a compensar com uma vida santa erros passados”.
__“Regenerada a alma com a vida da graça, persuadi-la-á de que a meditação da Paixão de Cristo constitui o verdadeiro tesouro de que nos fala o Evangelho (Mat. 13-14) ; na meditação da Paixão de Cristo está a escola das virtudes, o alento nos trabalhos, a consolação nas aflições, o incentivo para todo o heroísmo, o bálsamo para todas as feridas, o alimento da sólida devoção, o forno do divino amor». S. Paulo da Cruz «mostrará na Paixão a morte mística que desemboca no divino nascimento, a vida de identificação com Cristo, a configuração mais bem passiva que activa com o divino esposo crucificado e a associação amorosa e dolorosa à sua obra redentora.
__Toda esta doutrina está na linha do Apóstolo Paulo : “Ignorais, porventura, que todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte?... Pelo baptismo sepultámo-nos com Ele para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos, nós também, numa vida nova. Uma vez que nos tornámos com Ele num mesmo ser, por uma morte semelhante à Sua, também seremos por uma ressurreição semelhante. Sabemos todos que o homem velho foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse destruído a fim de já não sermos escravos do pecado” (Rom. 6, 4-6).
__A espiritualidade da Paixão foi definida pela “especial eficácia da meditação da Paixão de Cristo para alcançar a perfeição cristã”.
E atentemos no que escreveu o Passionista, P.e Delaney: “Acredito que rezamos bem a Paixão e Morte se somos capazes de nos encontrarmos com as raízes da Vida. É o modo de rezar ditado pela Espiritualidade da Cruz, semelhante ao da velhinha de El Salvador. Isso é ser testemunha da Páscoa na própria Paixão e Morte. Ser homem de bênção no meio da maldição. Quem sabe ler profundamente a morte de Jesus tem capacidade para isso.
__Ser profetas da Páscoa na Paixão do mundo (…) é ser capazes de assumir a própria dor e a dor dos nossos povos e convertê-la em fonte de solidariedade. Enquanto grupos e movimentos políticos acentuam e agudizam as contradições e dificuldades (…) (de certos povos), o profeta da Páscoa introduz, nesta dolorosa paixão, a fé de que é possível a superação e a fraternidade. A Paixão é o germe do Homem Novo!
__No dia 04 de Julho de 1976, Buenos Aires é golpeada com a notícia de que, durante a noite, cinco Padre Palotinos haviam sido assassinados. O povo sentiu revolta. Ali estavam os cinco caixões, no presbitério da igreja. O povo acorreu em massa. O facto tomava aparências de derrota. Mas a Comunidade cristã cantava vibrantemente: ‘Venceremos! Nós venceremos!’. Uma pessoa, durante a Eucaristia, no abraço de paz, aproximou-se para lhe dar-lhe a Paz e as condolências. A velhinha, com firmeza, serenidade e fé, apenas respondeu: ‘Dou graças a Deus porque sou a mãe da vítima e não o assassino!’. É a capacidade de captar a vida no interior da própria morte. Há, por isso, mortes que não devem ser ‘choradas’, mas celebradas (‘fazer memória’) porque estão carregadas de Vida, de Páscoa. Essa foi a morte de Jesus de Nazaré e a de tantos outros mártires de todos os tempos e lugares!”.
__Viver e anunciar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus é a essência do quarto voto professado pelos membros da Congregação Passionista.








